Viagem ao Centro do Sol - a Trilogia do Sentido da Vida. Novo Conteúdo 05

Prólogo

Inicio uma obra sem projetos.
Sem adquirir ou dar algo para empreendê-la.
Sem mesmo saber se poderá ser. Mas acreditando que sim.
Apesar da ausência da inspiração.
Que vem em doses muito homeopáticas.
E, senão assim, enlouqueceria.
Porque a inspiração vem ao que ama a criação, com a intensidade da energia que faz com que os olhos fiquem cerrados ao meio-dia.
Inspirações pintadas em paredes.
Alegrias impressas por contentamentos absolutos, apenas.
Tristezas desencavadas nos segundos que precedem o enterro.
Inspirações pisadas como árvores depois que viram tábuas.
Banhadas por noites de lua crescente.
Para que a Vida não perca o Sentido da descoberta de uma Lua Cheia, nem que toque a sua própria perfeição, guardando-se para quando a Alma sentir que pode entender Este sentido.
Jamais entregue da Alma, por enquanto, ao cansaço que causa o descanso, porque não há como saber qual cansa mais.
Sobre o que escrever?
Sobre rainhas sofredoras?
Sobre duendes com crises de consciência?
Sobre Deuses que criam crias cruéis...
Ou quem sabe sobre algum maluco?
Que história poderia contar que fosse interessante?
Algo severamente comportado?
Ou algo que chamasse fúria?
Deveria ser algo, a escrever, que notadamente não fosse qualquer coisa, mesmo quando parecesse assim. Algo brando, porém caótico.
Como se iria, em quilômetros, mais longe do que qualquer Alma foi para descobrir o Sentido da Vida?
Para onde se iria?
Talvez para o Centro do Sol...
Porque em seus diferentes brilhos geram-se diferentes realidades...
Todas a explorar.

Da luz que quase cega.
Passando pela penumbra
Chegando perto da escuridão do Espaço Virgem.
Ou talvez entrando nele...



Prologue


I start a work without projects.
Without acquiring or giving something to undertake it.
Without even knowing if it could be. But believing so.
Despite the absence of inspiration.
That comes in very homeopathic doses.
And otherwise, I would go mad.
Because inspiration comes to the one who loves creation, with the intensity of energy that makes the eyes closed at noon.
Inspirations painted on walls.
Joys printed by absolute contentment only.
Saddles unearthed in the seconds preceding the burial.
Inspirations trampled like trees after they saw boards.
Bathed by crescent moon nights.
So that the Life does not lose the Sense of the discovery of a Full Moon, nor that it touches to its own perfection, guarding for when the Soul feels that it can understand This sense.
Never surrended in soul, for now, to the tiredness that causes rest, because there is no way to know which one wears the most.
What to write about?
About suffering queens?
About elves with crises of conscience?
About Gods who create cruel babies ...
Or maybe some crazy guy?
What story could I tell that was interesting?
Something severely behaved?
Or something that would call fury?
It ought to be something, to write, that was notably not anything, even when it seemed so. Something soft, but chaotic.
How would one go, in miles, farther than any Soul went to discover the Sense of Life?
Where would he go?
Maybe to the Center of the Sun ...
Because in its different shines different realities are generated ...
All to explore.

Of the light that almost blind.
Going through the gloom
Coming close to the darkness of the Virgin Space.
Or maybe getting into it ...


                                                                                                                    1998