RESUMO › Parte 2

    * I - O Barro que Desatola (1980...)

    Viagem ao Centro do Sol - a Trilogia do Sentido da Vida. * I - O Barro que Desatola (1980...) E a insegurança de um seminarista sempre aumentava quando os velhos sacerdotes de sua Igreja mostravam-se relativamente contraditórios em...

    E a insegurança de um seminarista sempre aumentava quando os velhos sacerdotes de sua Igreja mostravam-se relativamente contraditórios em relação à Fé que propagavam. Certa feita conversou com um destes padres que lhe falou: - Com muito pesar quero lhe confessar que não sigo ao pé da letra há muito tempo esta minha Fé, por crer simplesmente que ela não possa trazer redenção absoluta a qualquer Alma humana que a queira. O Cristianismo é perfeito para tal redenção, mas não é, como nenhuma Fé poderia ser, uma cartilha que, em se seguindo, se salva a Alma e pronto. O Cristianismo, em sua originalidade, era formado por homens que matariam seus filhos em nome da Fé. Não que eu ache este exagero bonito, mas estes homens seguiam os preceitos de Deus tão fervorosamente que apenas posso pressupor que tenha este Deus um poder maravilhoso, do qual acredito piamente que a humanidade ainda dependa mais do que imagina. E aquilo era outra espécie de contato, cuja profundidade nunca teremos como saber. Porque é tão grande que chega a ser duvidosa. Acredite-me: o Cristianismo não é uma revelação para qualquer pessoa como julgou-se que fosse. Como se fosse a simplificação de tudo. - O que ocorre é que ser Padre foi o caminho que permitiu estar em contato com as pessoas que sofrem, ajudando-as e fazendo por elas algo realmente representativo. Para mim, o que mais vale é a intenção. Se eu julgasse a caridade menos importante, certamente teria abandonado o sacerdócio há muito tempo, mas tenho um compromisso de Alma firmado em relação a isto. Não poderia pensar que sou infeliz enquanto posso aqui estender a mão ao próximo como nunca poderia caso estivesse em outro lugar. Sei que talvez seja superficial abrandar a fome dos pobres, dando-lhes pão, sopa e palavras de confiança ao invés de lutar para resolver seus problemas de forma rápida e aparentemente segura, mas não sou Deus. Às vezes penso que nem Ele poderia fazê-lo porque a maldade que cerca a Alma Humana ainda é muito grande. As pessoas não vêem isto porque estão de fora, mas os caminhos que fazem a caridade têm um tamanho diametralmente dobrado no que se refere à responsabilidade. É relativamente fácil, por exemplo, convencer um suicida à não se matar, ou uma mãe a não abortar, mas quando você faz isto lhe cabe também dar perspectiva de que vale a pena continuar este ciclo de vida que não foi interrompido. Porque apenas isto é o que falta à humanidade: Perspectiva. E se não assim, apenas perpetuará a espécie infeliz que se É.

    * II - O Professor (2020...)

    Era terrível ao Velho Homem da Cadeira de Balanço pensar que alguém que amava num dia poderia estar ao seu lado e em outro dia poderia estar queimando num caldeirão. Esta sensação era como se o teto caísse sobre sua cabeça e logo após viessem os ventos e as águas de um furacão e levassem até as ruínas de tudo aquilo que construíra numa vida toda. Então o Velho chorou, pois sabia que tal comparação era inexpressiva, ridícula até, diante de um tal fato consumado. Pelo menos se acalmava por saber desde menino que diante de certos tipos de lágrimas, o silêncio vale mais do que qualquer coisa, mas que na idade que tinha, tendo conhecido como conheceu a morte, um abraço carinhoso e confortante era o melhor que alguém poderia dar a outro alguém na hora da dor. Sabia que um abraço poderia ser melhor do que qualquer palavra até. O Velho Homem era grato de coração à religião de Cristo pelas boas lembranças dos tempos de seminário, e além do mais, naqueles quase sete anos, como havia estudado filosofia, estava habilitado para dar aulas de tal matéria. Ganhara pelo menos uma profissão que, como muitos diziam, era a sua cara... Na metade da Década de Oitenta o Velho iniciou sua especialização em uma área da filosofia chamada epistemologia, que tratava justamente dos problemas envolvidos nas formas de conhecimento humano. Bem mais tarde se tornaria autoridade na área da Epistemologia relacionada a ciência da Cibernética. Por isto também o Velho conhecia tantas coisas sobre os bastidores de seu Mundo. E dedicou-se assim de corpo e Alma a tais estudos, o que lhe propiciou um grande reconhecimento acadêmico nesta área, permitindo-lhe escrever livros muito importantes e ser Ouvido em seminários internacionais. Isto, aliado aos bens deixados pela família, lhe garantiu sempre uma boa situação financeira. Nunca chegou a ter problemas com dinheiro. Na verdade o Velho sempre viveu bem. Sua família era rica, muito rica. E mergulhado em sua própria vida Ele nunca pôde prestar muita atenção ao que era externo à Sua faculdade, depois de maneira imperceptível ao seu Condomínio e agora a sua Redoma. De que maneira o tempo lhe cobraria Isto, pensava Velho naquela época sem perceber o Mundo entrando na Condição em que se colocou. E ainda assim agradecia aos Céus por isto todos os dias. Na faculdade tornou-se, um grande Ouvidor, a quem seus alunos recorriam quando necessitavam de conselhos pelos mais variados motivos. E assim manteve-se na carreira docente até os seus cinqüenta e sete anos, quando, para a tristeza de seus alunos o Velho se aposentou definitivamente. Seu Filho já estava formado e consolidando sua carreira profissional, Ele estava aposentado e iria viajar as Redomas com sua Esposa. Seu envolvimento acadêmico daí para frente seria apenas ligado a pesquisas avançadas de Epistemologia e escritura de livros. E este foi o modo que fez com que aquele homem tivesse algum sossego em sua Alma nos Tempos que procederiam.

    * III - Os Mestres (atemporal)

    E o Velho Homem da Cadeira de Balanço ainda escreveu sobre a missão que o Mestre lhe dera em Sonho: Talvez até possa ter, em alguma noite destas, um corpo imortal. Mas o maior presente de todos é Algo que eu ainda não compreendi muito bem. Porque se isto for verdadeiro valerá todas as noites destes quarenta anos em que apenas conversava com aquela Criatura que não mostrava o rosto e nem a voz, mas cujo pensamento eu compreendia apenas em silêncio e me permitia acordar todas as manhãs com respostas de perguntas do dia anterior, apenas interpretando enigmas. E foi difícil, muito penoso e demorado acreditar que a felicidade real estava apenas no meu coração, e não no mundo exterior. Hoje compreendo que foi meu Mestre-Espiritual que permitiu a Minha Amada vir em sonhos para me acalmar. E agradeço a ambos por isto ter ocorrido. Porque às vezes é duro ter de ser seu próprio fiador e pagar pelo que se faz. Mas depois não se deverá nada a ninguém, e se estará livre para transitar por onde quiser. Conquistando mais liberdade. Num mundo que têm suas próprias regras. Todas desconhecidas de nós. Esta voz, que me acompanha desde o que nasci, foi a voz que ordenou a minha prisão naquela sala de luz. Mas a penumbra é desejável, como nalgumas vezes especiais em que se faz Amor. E o que se vê é o que menos importa. Ainda lembro-me de fazer Amor... Sua Voz silenciosa me libertou finalmente. E não preciso mais estar apenas em Seu Mundo. Posso até viajar por outros, daqui para frente. Meu Mestre-Espiritual disse ontem que minha busca necessitava de mais elementos em discussão, e admitiu que não podia mais responder a tudo o que tenho para perguntar. Por isto, eu poderei me entrosar também nos Mundo-dos-Mortos, que são perspassados pelos Mundos-dos-Sonhos. Nestas Realidades encontrarei respostas que procurei uma Vida Toda, as quais estão em mais uma daquelas Tríades estranhas que se fazem portadoras de Mensagens importantes. O Sábio da Montanha Mais Elevada será o primeiro com quem terei a palavra que me levara a entender o Sentido da Vida. Depois irei ao encontro do Mestre do Reino Vegetal, Regente-Existencial de toda a Flora Terrestre. E por último encontrarei como que a mim mesmo, quando falarei com o Mestre do Reino Animal, Espírito que representa todo o saber da Animalidade, da qual a Humanidade ainda não se libertou totalmente. E eu sou apenas um caco quebrado no chão. Ao encontrar estes três Seres, me será dada a possibilidade de entendimento do sentido do que chamamos Vida. Porque quando se é recolhido ao Salão-dos-Espelhos, é sempre para ir às suas paredes. Ontem à noite fechei um ciclo, iniciado quando parei de sonhar.

    * IV - A Primeira Impressão (2050...)

    Porque vai embora? – perguntou então o Sábio. - Disseram-me que conhecia o Sentido da Vida. Confiei que poderia me falar sobre isto claramente e chegando aqui tenho uma resposta infantil ao meu problema. Acreditei que o senhor pudesse me ajudar, mas vejo que sabe tanto quanto eu. - Você confia tanto assim na primeira impressão que tem das pessoas? - É que vejo ainda que o senhor é mais Jovem do que eu. - Mas nem sempre o que os olhos vêem corresponde ao que é a realidade. Aliás, penso em minha humilde opinião que se você não tem consciência deste fato deve realmente ir embora e apenas voltar quando tiver isto bem resolvido em seu Espírito. Mas deixe o chá que trouxe por favor. - Desculpe-me. Não havia pensado nisto – disse o Velho muito envergonhado. - É um grande passo que saiba usar este termo. Ele faz falta à vida de muita gente deste mundo. “Não havia pensado nisto antes...”. Viu? Você já está me ajudando. - Você é maluco. - E você me fez perceber de uma forma diferente a importância da capacidade de se mudar de opinião, principalmente quando entendemos apenas aquilo que é ditado pelo nosso pré-conceito. O Velho pensou que talvez aquele Sábio realmente detivesse alguma sabedoria. O mínimo que aprenderia seria um pouco de diplomacia. E não qualquer diplomacia. Mas daquela que é fruto da ânsia de se comunicar para dizer que está vivo de algum modo. Ficaria ali pelo menos naquela noite para ver o que aconteceria. Poderia testar seu poder de tolerância também. Disse que ficaria naquela noite. E emendou. - Fico feliz por isto e peço desculpas pela minha rispidez. É que viajo há dias. Estou exausto e faminto. A propósito se me permitir gostaria de preparar uma refeição para nós. - Comida depois. Agora conversa. Buda disse: “As coisas complexas estão fadadas à decadência”. Sabe o que isto significa? O Velho emudeceu. Mas só podia que o fosse budista.

    * V - Uma Oração (1980)

    E o Sábio disse ainda: -Dir-lhe-ei algo que nunca disse a ninguém, aliás, vou lhe dizer algo que nunca disse nem a mim mesmo: eu apenas fugi do mundo. Enjoei daquilo tudo que me fazia um feliz infeliz. Duvidei que poderia reconstruir minha vida e pude apenas arranjar a pretensiosa desculpa de que, sem saber qual é a Verdade sobre a Vida, eu não poderia ser feliz nunca mais. Então tenho motivos de sobra para continuar assim. E realmente não fui, não sou e certamente nunca serei feliz neste corpo. Porque agora é tarde. Este é o tipo de erro de cujo qual o reparo apenas pode vir em outra existência. Neste tipo de engano não há como errar mais de uma vez, porque a ruína total às vezes vem irreversível após o primeiro engano, e pode que não haja uma segunda chance. Após o Sábio contar a sua história, o Velho silenciou-se por alguns minutos. Talvez pela primeira vez na Vida estivesse conversando com alguém que tinha um bom motivo para se arrepender. O Velho não sabia que desgraças deste tamanho podiam acontecer com pessoas Reais. Sua história era bem válida para um Infeliz de verdade. Ele via que de algum modo suas vidas tinham aspectos em comum, apesar de o Velho se considerar muito mais feliz do que o Sábio da Montanha. É sempre triste ver alguém chorando não apenas por algo que não tem como ser remediado, mas que causou também grande infelicidade a quem mais se amava. Fora os outros. Tantas infelicidades que quase não podia contar... E o Velho imaginou como seria triste ver-se chorando novamente daquele jeito. O Sábio não vislumbrava no sofrer que sentia, nenhum Cessar Iminente. E talvez por não buscar nunca O encontrasse. Como quando sofremos por dores especificas, e chegamos a associar nossa identidade com esta dor. Como quando se é viciado em sentir Culpa, como era o Sábio da Montanha. Tantos foram tomados por esta Doença de Espírito. E talvez fosse tempo de buscar o fim desta Dor, porque já havia sentido Isto o suficiente nesta vida. Então, parando de ranger sua cadeira por alguns instantes, o Velho fez uma oração para seu amigo, o Sábio da Montanha Mais Elevada. - Sábios Deuses que governam este Mundo. Na incapacidade de minha Alma para dar respostas a Quem expressa sofrimento por meio de perguntas, que meu Ser seja veiculo de Ajuda na busca do que possa lhe trazer rebates sobre sua própria Identidade, Esmagada por si própria nos Tempos em que não imaginava o que era sentir Dor. Que eu possa em minha insignificância ser útil ao meu Criador como teria sido de meus pais se eles tivessem ficado ao meu lado. Obrigado por eu ter podido ao menos pedir perdão de coração a todos a quem devia apenas por desleixo. Apenas por isto posso me considerar Feliz como me sinto. Muito obrigado.

    * VI - Como um Deus (2060...)

    E o Sábio da Montanha disse ao Velho Homem da Cadeira de Balanço - Caso você aceite beber deste Frasco Verde-Ígneo, deve saber que haverá uma expansão de suas memórias de armazenamento e processamento de informações tão grande que tudo o que aconteceu nos dois meses que antecederam este dia, serão relembrados segundo por segundo. E tudo o que acontecer nos dois meses seguintes também. Com o tempo, e muito treinamento, você controlará sua Memória-Existencial em outros níveis de consciência ainda desconhecidos, e com muito treino sem o uso de qualquer coisa que não seja a sua própria Mente. Tudo pela reativação de uma espécie de zona morta de seu cérebro que será religada por este preparado. O Neocórtex tinha muito mais funções quando foi pensado por Aqueles que o projetaram. Os primeiros homens a viverem neste Mundo com esta parte do cérebro ativada conscientemente tornaram-se Deuses para muitos Povos das Civilizações Desconhecidas, mas o mais famoso destes foi chamado de Filho de Deus. E com toda a razão. Ele conseguia se comunicar sobriamente quem O havia Criado, mais do que Qualquer um naqueles tempos. Outros que vieram depois foram caçados. Outros se corromperam. No Mundo de Hoje caminham entre nós Seres de poder igual ou maior ainda do que estes antigos Deuses. Em silêncio para que não sejam destruídos. E bebendo isto você será um Deles por alguns instantes, Sem qualquer dano ao seu Corpo Físico. Ante o silêncio do Velho Homem da Cadeira de Balanço, o Sábio disse então: - Você levará consigo, quando for embora daqui, mais três destes Frascos que poderá utilizar, caso queira, para encontrar os seus outros Mestres, do mundo Vegetal e Animal. E não esqueça que isto não é nenhuma droga. As drogas podem vir a empurrar a Alma do corpo para um labirinto ou precipício sem volta. Porque às vezes se procura um motivo a mais para usá-las, e, em se querendo, sempre se encontrará este motivo. Daí para a ruína falta apenas dois passos: o descontrole e o desespero. E se não houver controle sobre o que é motivo, mesmo que nobre, se capitulará. Espero que você entenda que isto é apenas mais uma ferramenta de Geração de Realidade, e que seu mau uso pode implicar em acidentes gravíssimos.

    * VII - A Ampulheta e o Enigma (atemporal)



    - Sobre o Planeta Terra, diversas formas de Vida inteligente pisaram antes de nós. Mas nenhuma causou em tão pouco tempo um impacto igual ao conseguido pela Raça humana.
    No passado, surpreendemos Deuses iludidos que não acreditavam que nos autodestruiríamos.
    Outros Deuses bem sensatos previram isto, se assustaram e saíram de perto da Humanidade.
    Causamos muito medo a Eles com nossa curiosidade, e a que tal desejo de aprender poderia nos levar.
    Estes Deuses, tomados de benevolência nos tempos em que andavam ao nosso lado, por tanto amar-nos, não quiseram nos destruir, mesmo sabendo que em breve, de alguma forma que desconheço, não mais andaríamos sob o Sol deste Sistema.
    Em determinado ponto da nossa história passamos a interagir com a Natureza de um modo muito profundo.
    Todas as intempéries por que passamos deixaram nossos Criadores muito sensibilizados, digamos assim, pela força de espírito que detemos, dando-nos sempre outra chance e recriando-nos até que dominássemos tudo e esquecêssemos Deles.
    Estes Deuses subjugaram a natureza Virótica humana, e esta tomou conta do planeta fazendo com que, depois da última Virada da Ampulheta, estes Criadores perdessem completamente o controle sobre o que produzimos.
    Os eventos de Sodoma e Gomorra não bastaram realmente para que houvesse uma conscientização humana geral sobre o sentido contido na palavra respeito, e a palavra semelhante sempre foi associada a palavra Útil a todos os humanos aqui nascidos.
    Mas você deve entender outro detalhe disto tudo: de um a cem, estes Deuses que criaram a raça humana, detém quase nenhum poder da capacidade existencial que deterão no dia em que se tornarem Deuses Inefáveis, por associações energéticas Amorosas,. Porque ninguém Aprende de verdade se não for por Amor, e nossos Deuses somente aprendem pela dor – disse o Sábio.
    A passagem do Tempo terrestre mostrou-se bem elástica desde o surgimento do Homem. Você é velho e entenderá: não tem a impressão de que, nos tempos de sua Juventude, a Vida corria como se você olhasse uma Ampulheta cheia de Areia na parte de Cima, e que agora a impressão que têm é que a Areia está caindo mais rápido do que nunca porque a sua maior concentração está na parte de Baixo da Ampulheta?
    Pense nisto...
    Antes do início da Contagem dos Tempos Humanos a Ampulheta estava deitada ainda, e a Areia estava sendo colocada em forma de Luz, pelos Deuses, em apenas um de seus lados bojudos.
    Quando a Contagem do tempo Humano começou a Ampulheta foi Virada, e a Areia começou Cair. A ampulheta será virada sete vezes. Estamos na quinta vez, logo virá a sesta. E por um tempo nada mais fará sentido pela desorientação que ocorrerá.





     

    Voltar para Resumo